quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Relato sobre minha experiência com PGs

Uma vez por ano eu releio o livro Uma Vida com Propósitos, do Rick Warren. É uma espécie de ritual que me chacoalha e me ajuda a voltar pro propósito de Deus para minha vida. Cada vez que leio, algo diferente me chama a atenção. E os dias 18 e 19, que falam de comunhão e pequenos grupos, me tocaram profundamente nessa rodada 2014 da leitura. Lembro do pastor Dario me contando como funcionariam os PGs e de como achei a ideia interessante. Acredito que o ponto alto dos Pequenos Grupos é, como diz o Warren: "Quando as circunstâncias nos esmagam a ponto de nossa fé vacilar, é que mais precisamos de amigos crentes. Precisamos de um grupo pequeno de amigos que tenham fé em Deus por nós e para nos fazer vencer as dificuldades".

Eu tive a honra de participar da segunda multiplicação de PGs na igreja. Na época eramos somente 3 PGs, bem diferente de hoje que são inúmeros. Meu primeiro PG foi de casais, na casa de Claudio e Debora. Foi um tempo incrivel. Tive a oportunidade de me aproximar de pessoas que eu conhecia só de ver na igreja, e até hoje, trago a Karin como amizade que nasceu neste PG. Já passei por alguns outros PGs depois desse, mas nenhum teve um formato igual. Claudio conseguia fazer o PG parecer PG, e não um culto. Foi realmente um tempo muito bom.

Um tempo depois multiplicamos e eu fui para o PG de Medlin. A perspectiva mudou, por que passei de "recebida" a "recebedora", com responsabilidades e preocupações de lanche, de se as pessoas iam e tal. Eramos todos casais jovens e as discussões planavam em torno dessa condição. Aprendi muito ouvindo as experiências de pessoas que estavam passando pelas exatas mesmas experiências que eu no que tange a casamento, cobrança por filhos, brigas de casal, etc. Pude viver exatamente a frase de Rick Warren: "Compreendo o que você está passando, e o que você sente não é estranho ou absurdo".

Infelizmente o PG não cresceu e implodiu. Escolhi voltar para o PG de casais na casa de Claudio, mas nesse meio tempo, André começou a trabalhar e eu fiquei sem jeito de ir sozinha a um PG de casais. Planei durante alguns meses sem PG, até que minha irmã me convidou para o PG de Bruninho. Aí foi estranhamento total. Pessoas que eu não conhecia nem de vista, opiniões tão estranhas e controversas..., mas um lider de Deus. Bruninho fazia os estudos de um jeito único, que realmente falava ao meu coração. Nem sempre eu podia ir por causa do horário de trabalho, mas foi um tempo muito bom.

Então, novamente houve uma multiplicação. E Raquel foi escolhida como a senhora dona líder. Por ter uma relação muito próxima dela, tive muito medo de a intimidade me fazer perder a linha, mas isso não aconteceu. Vi Raquel crescendo a olhos vistos como líder. Foi bonito de ver. Foi um PG divertido, em que literalmente me senti em casa, já que emprestei minha humilde residência para as reuniões. Arrumei brigas e discórdias, discuti, briguei, mas a senhora dona líder sempre pegava os brigões - ou as brigonas - pelo colarinho e nos colocava na linha. A minha líder mais pacificadora, fazia jus ao versículo de Romanos 14:19: "Esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz a paz e a edificação mútua".

E Raquel conseguiu uma vitória: entrou pra faculdade de psicologia que tanto sonhou. Mas isso fez com que ela precisasse deixar a liderança do PG. Por conta de nossa proximidade, pude ver de perto a alegria misturada ao sofrimento. A faculdade era um sonho, mas o PG tinha se tornado parte importante da vida dela. Raquel partiu. E a nova líder me faz pensar como as coisas se invertem no mundo.

Há uns 10 anos atrás, Ana Paula tinha 9 e eu 23. Todo domingo pela manhã eu dava aula de teatro para algumas crianças da igreja, e ela estava entre eles. E hoje, Ana Paula é - e digo isso com orgulho - minha líder de PG. O engraçado é que eu me sinto muito mais a vontade com as "crianças" - a partir de 14 - do que nos PGs de casais que participei. Acho que consigo ser mais eu. Claro que falta um pouco de discussão sobre problemas do cotidiano, ou pelo menos, quando levanto uma questão da vida adulta, tenho que filtrar para me fazer entender. Mas tem sido uma experiência especial fazer parte de um PG de jovens. Bill Hybels diz no "uma Vida com Propósitos" que "Nós só crescemos assumindo riscos, e o mais dificil risco de todos é sermos honestos com nós mesmos e com os outros". Se ele estiver certo, como acredito que está, fiz uma boa escolha ao assumir o risco de sair dos PGs de casais, pois estou sendo honesta comigo mesma.

Não sei o que o tempo me reserva. Não sei por quanto tempo estarei no PG da Ana. Não sei se uma hora dessas voltarei para um PG de Casais. Mas posso dizer que vale a pena participar de um Pequeno Grupo. E se você, por acaso, está lendo esse texto e não tem um pequeno grupo, se aprume e arrume um! :P

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